O eu e a sociedade (duas entidades claramente separadas socialmente)

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(Imagem: reprodução)

“Vejam. Ouçam. Mas por favor, calem a boca.”, Tada, Hebert, 2017.

Vejo muita polêmica sobre tudo e qualquer coisa ultimamente. Sim, apenas vejo. Não entro em discussões morais, sociais, debates entre lados (e alimentos) políticos. E não é por falta de interesse nos assuntos ou por “ficar sobre o muro”.

Está claro que todas as discussões não são pra melhorar um todo. Alguém (ou um lado) SEMPRE vai ter (ou querer) vantagem sobre outro. Os comentários são quase sempre com ofensas ou através de linchamento verbal. Se não isso, olhando sobre as pessoas com ar superior. Todos querem ser melhores que todos.

Não dá pra ficar satisfeito só fazendo um pouquinho de bem? Ajudar um senhor a subir no ônibus, dar comida pruns animaizinhos de rua, doar roupas/comida/livros pras campanhas ou abrigos ou eventos que ajudam causas sociais. Coisinhas simples, sem precisar postar depois pra encher o ego com likes alheios.

Sendo assim, minha conclusão: meu lado político, minhas crenças sociais, minhas opiniões sobre como agem ou deixam de agir: Eu guardo pra mim, porque não faz diferença pra você o modo como enxergo as coisas. E vice-versa.

Aliás, pra você que está lendo isso. Pode ignorar.

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Float with me (It/2017)

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(Imagem: divulgação)

Quando se trata de filmes de terror as pessoas logo pensam em jumpscares, perseguições, monstros bizarros e etecéteras, etecéteras, etecéteras…

It nos proporcionou algumas dessas características. E mais. Muito mais.

Baseado no livro de mesmo nome do autor Stephen King, a adaptação é uma das mais fiéis que já vi, talvez junto de Horns que, coincidentemente, é baseado no livro do filho de King, Joe Hill.

O plot talvez seja bobinho quando se vê por cima: crianças que sofrem bullying tem que se juntar e formar fortes laços para encarar um ser que está escondido nas entranhas da cidade. Porém a história é mais que isso, ainda mais por se tratar da primeira parte.

O terror não apenas é lançado por causa de Pennywise. O terror está na própria cidade, onde as pessoas costumam olhar para outras de cima com empatia ou até certo desprezo. Ignorando bullying, os constantes abusos ou esquecendo (ou ignorando) fatos recorrentes e trágicos cometidos pelo palhaço assassino, a cidade vive sob seu próprio teto de terror humano.

Quanto a Pennywise, ficou implícito que ele apenas se aproveita da ignorância das pessoas de Derry. Como um antagonista (ou protagonista, como queira), ele faz dentro da cidade o papel que as pessoas tem medo de fazer: desmoralizar os fracos (e consequentemente acabar com eles). A própria cidade parece aceitar (inconscientemente) Pennywise quase com um abraço caloroso.

Mas também precisamos falar do lado oposto a toda podridão: as crianças que protagonizam o filme.

Elas são aquelas que a quem a cidade se projeta como uma sombra maligna. Apesar disso, conseguem viver como um grupo isolado de todo o mal da cidade. Sim, o clichê bate forte nessa parte do plot, com o “separados somos fracos. Unidos somos fortes”, mas sem isso não haveria essa balança.

Bill, Richie, Ben, Beverly, Stanley, Mike e Eddie, os ‘Losers’, pareceram ter saído diretamente do livro. Os atores mirim incorporaram seus papéis e deram vida aos personagens (e a Derry, por que não?). Seus laços foram bem estabelecidos, sem precisar apelar para a clássica cena do livro onde crianças de 13 anos fazem sexo para fortalecer sua união antes de enfrentar o palhaço.

Estou cansado de dizer: adaptações de livros, mangás e o que quer que seja tem suas limitações dentro do cinema. Raramente veremos algo igual ou parecido, mas quando o fazem, por favor, apenas apreciem.

‘Death Note: Light up the new world’ e a lição que a Netflix deve aprender

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(Imagem: divulgação)

Criar adaptações não deve ser fácil. Há limitações, principalmente em filmes, como tempo, efeitos, ou até mesmo a própria história que precisa ser alterada por conta do plot da obra original.

Netflix nos trouxe sua adaptação de Death Note, mangá de enorme sucesso mundialmente e que contém algumas das mais ricas tramas policiais que conheço. A visão dos diretores era se basear na obra original e mudar o modo como ela é contada, tentando manter algumas peças que remetessem ao mangá/anime. Porém, não houve nada que lembrasse de forma positiva. Tudo foi engolido e regurgitado a formar uma trama sem coerência (dentro do plot) e personagens com pouco ou nenhum carisma. Mesmo que fosse uma história completamente diferente, não havia um pingo de Death Note que não fosse apenas nomes de personagens e título originais.

Em Outubro ano passado estreou no Japão ‘Death Note: light up the new world’, continuação da trilogia live action da obra. A história se passa 10 anos após o término do segundo filme (o terceiro é paralelo, como um filler), com novos e poucos velhos personagens, abordando na mesma linha de raciocínio de Kira, uma nova trama. Ligações profundas entre velhos e novos personagens vão muito além de entreter entre si. Quase sem querer e naturalmente. Não há forçação entre relacionamentos.

Há, mesmo que a contragosto, carisma de alguns personagens. Eu simplesmente odiei o novo Ryuzaki, mas apenas porque ele é detestável. Foi trabalhado o que seria o oposto do antigo L e fizeram esplendidamente.

Kira foi baseado no original, poucas coisas mudando, mas com ainda mais reviravoltas perto do final. O novo Kira continuou como um mestre manipulador.

Misa e Matsuda reaparecem como um laço de ligação para o passado. Um do lado de Kira, outro carregando os fundamentos de L. Mesmo alguns coadjuvantes tiveram papel apresentável. Nanase chamou a atenção ao final e Arma, mesmo pouco aparecendo, deu um charme a mais com sua profunda ligação com Ryuzaki.

Por fim, mas não menos importante, o cara que puxa as cordas desde o primeiro filme/capítulo/episódio: Ryuku. O shinigami adorador de maçãs e de ver o circo pegando fogo.

Desde os primeiros filmes sempre houveram adaptações que se encaixavam com a trama. Uma nova história como a ‘Light up the new world’ apenas colocou a cereja no topo do bolo. A Netflix pode aprender se quiser continuar com suas adaptações, sejam em filmes, séries ou animações. Ocidente, por favor, não fechem os olhos para o oriente. Sempre que pensamos nos seus Dragon Ball Evolutions e Death Notes um embrulho no estômago é sentido.

O Death Note da Netflix

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A Netflix vem apostando nos sucessos orientais. Death Note foi um dos primeiros, tanto filme quanto série (que ainda foi apenas anunciado), e há alguns dias foi também anunciado uma nova saga de Cavaleiros do Zodiaco do sistema de streaming. Porém…

Eu não tenho absolutamente nada contra adaptações, desde que elas mantenham e não fujam do que realmente é importante do que ela está adaptando, sejam elas personagens marcantes, cenários memoráveis, algum contexto que faça a trama principal remeter à obra original. A Netflix nos mostrou que também erra, apesar de várias boas adaptações recorrentes.

Primeiro de tudo: Light (Nat Wolff). Completamente passional. Não havia um único rastro do Light (Raito, como queira) original (talvez só pelo fato dele ser canhoto lol). “Nerdear” o protagonista não o faz inteligente e calculista. Ter um pai policial e a mãe morta não o faz um prodígio acadêmico. Todos sabemos que o Light original é um personagem bastante roubado, praticamente fora da curva, mas não de todo inumano. Ele sabe como se portar, e isso é uma das suas principais características.

Mia (Margaret Qualley). A garota popular e entediada da vida. Foge bastante da Misa, que é vívida, apesar de cegamente apaixonada pelo Kira. Foi retratada nesse filme praticamente como a vilã, fazendo o papel inverso ao que Kira faz na obra original: manipular as pessoas. Mal entendia as motivações do protagonista. Foi tarde.

L foi quem quase se destacou. Teve bom início e o ator (Keith Stanfield) fez bom uso de algumas características do L. O personagem terminou de forma patética, sem o mínimo da simpatia que fez com que o original fosse o personagem mais querido da obra.

Alguns personagens como Watari, Shea não tiveram uma ligação com os protagonistas, o que fizeram com que fossem meramente coadjuvantes.

Por fim Ryuku (Willem Dafoe). Foi o que mais se aproximou como um todo da obra. Aquele que quer ver o circo pegar fogo e puxa as cordas por trás do Kira. Faltou um pouco de curiosidade sobre os humanos.

Antes que digam “Mas só falou dos personagens”, o plot todo é bem ruim. A motivação do Light, que começa por conta de bully, só o faz tão errado quanto. Depois usa o caderno por vingança. Só então faz uso da maneira correta.

A lembrança que veio depois de acabar o filme: Dragon Ball Evolution.

The Dark Tower

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(Imagem: divulgação)

2017 é o ano das adaptações, principalmente para Stephen King. It, The mist, Mr. Mercedes, entre outros que virão. Nessa última quinta-feira, 24/08/2017, foi a vez de The Dark Tower, a maior obra-prima do autor e talvez a maior das expectativas para seus leitores.

Na época da sua divulgação, a maior surpresa foi o papel do protagonista, Roland Dechain, ser dado a Idris Elba. No livro, Roland é descrito como branco (com queimaduras de sol), cabelos desgrenhados, olhos azuis e barba por fazer, já com seus muitos anos rodados apesar de aparentar estar na casa dos 45~50.  Eu sempre vi a imagem de Roland espelhada a de Clint Eastwood em seus filmes de faroeste. Elba é negro, muito alto e imponente, e fez um papel maravilhoso como Roland!

A aposta dos diretores foi alta e um tanto arriscada. Houveram muitas sobrancelhas erguidas, pois era bem difícil imaginar um novo Roland mentalmente. Elba pegou todas as críticas como um barril de balas sendo carregada nas armas de Roland. Os detalhes físicos foram meros coadjuvantes. Ele encarnou como ninguém todo o espírito do pistoleiro, e a produção de efeitos visuais deixou que um easter-egg remetesse ao Roland do livro: os olhos azuis, sempre descritos na hora em que ele atirasse, foram colocados nas armas como um reflexo ou tipo de aura que passava do pistoleiro para elas. (Sim. Acredito cegamente que isso seja um easter egg).

Jake Chambers, interpretado por Tom Taylor, teve um pouquinho menos de impacto. Achei ele adaptável demais para as situações que ocorriam no filme. Muito do tipo Jake pós-Terras Devastadas. Não que isso fosse ruim, porque construiu um personagem forte, mas foi tudo muito rápido. Gostaria de ter visto aquele Jake chorão e com cara de Macaulay Culkin criança evoluindo com o filme.

Já o antagonista, o Homem de Preto, Walter, achei tão sensacional quanto Roland. Matthew McConaughey interpreta um vilão mais ativo que no livro, mas tão sádico quanto. Não chega a ser tão carismático, pois o filme é bem curto, mas deixa um q de perigo iminente por trás do sorriso malicioso e da voz profunda e suave, característica tiradas do livro.

Filme esse com easter eggs atrás de easter eggs. Contei uns 4 (um deles dado por um amigo no trailer), mas soube que há 10 sobre outras obras de Stephen King.

Quanto ao filme… é… achei que foi rápido demais como disse no parágrafo do antagonista. Há uma relação construída entre pistoleiro/menino através de insights (ou toque) que Jake tem antes de partir para o mundo Médio. Não sei se há uma referência a Alain quanto aos sentimentos de Roland em confiar em Jake, mas esse elo construído, apesar de quase instantâneo, foi um ponto forte. Assim como a de Roland com Walter que vinha de longa data, porém construído baseado em vingança.

A Torre Negra é um bom filme. Havia margem para ser ainda melhor. O ponto forte com certeza foram os personagens e a ambientação do Mundo Médio. Talvez não agrade os mais conservadores, mas também não achei que é um filme para os de primeira viagem.

Crítica a ‘Alien: Covenant’

Vou começar pelo final, que foi o que valeu a pena da noite: a batata chips regada ao azeite trufado do Fifties é divina! ❤

(Imagem: alien-covenant.com)

Parece maldoso o comentário acima, e bem, é pra soar mesmo.

Quando foi anunciado uma sequencia para Alien, ou mais precisamente para Prometheus, a hype para ver mais um filme com Xenomorphos cresceu mais rápido que os próprios aliens crescem durante os filmes.

Ridley Scott apostou em uma sequencia para a explicação da origem dos Xenomorphos, tudo mais mastigado do que em Prometheus, além de logicamente trazer sobrevida a um ser que havia “morrido” em AvsP (1 e 2, se bem que achei o 1 divertido). Algumas cenas são nostálgicas e remetem ao primeiro filme como os corredores claustrofóbicos que parecem entranhas. Mas tudo para aí, o que acho que sejam em torno de 30 minutos de filme.

A coisa toda começa a andar mais pro lado de ‘Prometheus’ do que de ‘O oitavo passageiro’, que era o que muita gente achava que não seria (ou torcia pra não ser). Personagens descartáveis e sem nenhum conteúdo (não me conformo do James Franco ter aparecido em apenas um tablet por 20 segundos), sem nenhum tipo de laço ou profundidade um com o outro. Os humanos são mais ciborgues que os próprios sintéticos. Digo até que os Xenomorphos tem mais emoções que os humanos do filme (apesar de serem bem mais burros que dos outros). Não tive em nenhum momento aquele sentimento claustrofóbico esperando que um deles saia de uma tubulação, ou a clássica cena daqueles dentes correndo em direção à câmera como um ponto de vista de alguém prestes a morrer.

(Imagem: Jovem Nerd)

Para não ser injusto, a atuação de Michael Fassbender como Walter (e apenas como ele) foi digna de alguns elogios. Não salva o filme, mas merece um destaque pela atuação mais convincente que de todos os outros atores e atrizes.

Ridley Scott praticamente confirmou uma ou duas sequencias. Posso dizer que ele cometeu o equívoco por ser o primeiro filme da volta da franquia e que os outros virão para salvar. Mas como fã, sinto também temor pelo que está por vir caso ele não veja as falhas dessa “primeira” tentativa.

Ou talvez a gente já possa chamá-lo de R.I.P.ley Scott.

[Filme] A Bruxa (The Witch)

[CONTEM SPOILER!!!]

Ontem fui assistir, finalmente, ao filme ‘A bruxa’. Filme esse que anda dividindo opiniões.
Desde há pouco mais de duas semanas que foi lançado, é um dos mais comentados na internet, principalmente aqui no Brasil, país de origem de um dos produtores, Rodrigo Teixeira. Também foi criticado pelo escritor americano Stephen King como “(…)it’s a real movie, tense and thought-provoking as well as visceral” [(…)é um filme real, tenso e desafiador, tanto quanto é visceral] em sua conta no Twitter. Foi isso que me motivou ainda mais a ver o filme.

Logo de começo sua trilha sonora chama a atenção. Cada cena tensa é montada para a música de fundo, ou cada música de fundo é montada para cada cena tensa. Há vários momentos que minha imersão pela trilha era tanta que eu já estava tenso antes que algo viesse a acontecer. O cenário, a floresta, dava a impressão de estar viva. É um ambiente claustrofóbico, cinza, como um morto que respira.

Os personagens merecem um parágrafo próprio. Na primeira cena onde a família aparece, meu amigo falou sobre a esposa: “Ela tem uma cara suspeita. Aposto que ela é a bruxa”. No decorrer do filme, você acha que cada membro da família é uma bruxa. Cada um deles foi tão bem trabalhado quanto deveria ser. Numa época difícil, onde a religião era a base de tudo o que poderiam viver, a fé deles era testada pela própria falta de fé. Pela terra, pela colheita, pela perda/luto. Até momentos antes do final não houve contato com a bruxa da floresta, apenas indiretamente. A cada falha dos personagens, um dedo era apontado ao outro. Família contra família.

No filme como um todo, caso o título permanecesse o mesmo, mas retirassem o elemento “bruxa”, o decorrer continuaria o mesmo! A perda de um membro da família e a culpa caindo sobre a última pessoa que o viu; Falhas em exercer uma função (pela época) onde tudo começa a cair como uma fileira de dominós; As suspeitas de que sua fé não é forte o bastante para ajudá-los. Ou seja, a bruxa é um complemento ao terror, mas não a causa da mesma. Por tudo isso que disse o filme é excepcional!

Muita gente não gostou do filme pelo fato de não haver sustos (houve um, bem bobo, e confesso que pulei da poltrona mais por ter tensão acumulada), ou pela história ser bem indigesta. Sim, o filme não é mastigado e tem uma complexidade boa. Eu mesmo considero o filme mais como terror psicológico/suspense do que terror/horror.

Pra mim valeu muito a pena.